Estamira
O quanto somos responsáveis por nós mesmos e por aqueles que estão próximos? E quando os próximos não estão assim tão perto, quem consegue enxergar a quantidade de pessoas que vivem à margem e que habitam um mundo tão distante do nosso que parece paralelo?
Estamira, a personagem do documentário de Marcos Prado é real. Sanguínea, de carne osso e espírito transparente, mora em um aterro sanitário. Considerada louca por familiares e médicos, ela ironicamente se mostra muito lúcida, abordando assuntos de vivência e lógica dos padrões estabelecidos pela sociedade.
A bela fotografia do filme transforma belamente o lugar que a princípio não tem nada a oferecer. O lixão é casa dos restos humanos, é aquilo que escondemos todos os dias, é o que ninguém mais quer e o que não tem mais utilidade. No entanto, as pessoas que moram nesse lugar, se alimentam e convivem em harmonia. Seria um alerta para nós que vivemos uma vida confortável e nos preocupamos com tão pouco? O que é realmente necessário para que levemos uma vida digna?
Provavelmente Estamira tenha uma vida muito mais verdadeira do que muitos que aparentemente se dizem felizes. O diretor não deu apenas voz à personagem mas deu espaço para que ela se manifestasse de forma crua e simples, por vezes chocante.
Estamira é um pequeno recorte daquilo que ocorre todos os dias, é retrato da miséria que não queremos enxergar no nosso mundo. Não apenas a miséria relacionada a questões de desigualdade, mas daquilo que a nossa pobreza de espírito quer disfarçar se medicando e esquecendo o que é essencial.
Trailer do documentário:
Lize B



Que chocante x.x
Lizz esse documentário
caracoliis…. Pirei
Quero assistir *o*
quero assistir!
:O